Consulta Médica | Psiquiatra

Tenho recebido novos leitores no blog, que se identificaram com a questão da depressão. Boa parte deles me perguntam como é a consulta com o psiquiatra, porque desconfiam que têm depressão, mas não têm coragem de procurar apoio psiquiátrico, por isso, resolvi escrever como foi a minha experiência na primeira consulta e assim, quem sabe, encorajar vocês que têm receio, irem em frente!

É assustador pensar que em pleno século XXI ainda exista tantos estigmas, tabus e preconceitos à cerca dos médicos psiquiatras e também, de psicólogos. Eu mesma adiei a ida o máximo que pude por medo e preconceito. Eu não achava que psiquiatra era “médico de doido” como a maioria, mas eu morria de medo de ser medicada e virar dependente, como sempre ouvi as pessoas falarem por ai…

Bom, o que posso dizer é que isso é uma grande bobagem da cabeça das pessoas. Não é bem assim! O conhecimento mata o preconceito, então, vou dividir com vocês a minha história com o psiquiatra.

Minha Primeira Consulta – O Psiquiatra de Merda

Primeira vez que coloquei os pés em um consultório psiquiátrico, foi em janeiro do ano passado. Eu estava bem mal e não aguentava mais me sentir daquele jeito. Tomei coragem, marquei e fui!

Lembro que até o último minuto antes de entrar no consultório, fiquei com vontade de desistir. Mas dentro de mim, havia uma bagunça tão grande que segui em frente. No fundo eu sabia que se não procurasse ajuda imediata, algo ruim ia acabar acontecendo comigo, porque fazia muito tempo que eu não estava bem.

Venci minha insegurança, respirei fundo e entrei. Não fazia a menor ideia de como era uma consulta com o psiquiatra. Assim que me vi diante do médico, fiquei muda por um momento. Ele respeitou meu silêncio e depois, começou a fazer algumas perguntas para quebrar o gelo. Eu estava monossilábica, até o momento em que ele pediu que eu lhe dissesse o que me levou até lá. Não foi fácil sentar na frente de um completo estranho e contar a minha história. Não foi fácil dizer o que estava sentindo, mas apesar do constrangimento, fui absolutamente sincera com ele.

Eu fiquei em estado de choque com o meu diagnóstico. Após 15 minutos de conversa, ele me disse que eu tinha transtorno bipolar e me mandou pra casa com 2 receitas na mão. Eu ainda não tinha conseguido digerir nada daquilo, quando ele chamou o próximo paciente. Me vi na rua, chorando, porque estava morrendo de medo de tudo aquilo.

Passando o pânico inicial, eu passei na farmácia, comprei os remédios e iniciei o tratamento conforme recomendado. Resumindo: após 2 semanas quase doida (literalmente) e passando mal com os medicamentos, tentei falar com o médico e ele se recusou a me atender. Minha psicóloga sugeriu que eu buscasse outro psiquiatra e tivesse uma segunda opinião. Foi a melhor coisa que eu fiz, porque (pasmem) – o diagnóstico estava errado. Descobri depois, que 15 minutos não são suficientes para o diagnóstico de um problema tão complexo quanto o transtorno bipolar. Mas eu estava tão mal, que nem raciocinei sobre o diagnóstico… só pensava: “Eu preciso melhorar. Eu só quero melhorar!

Portanto, fica a lição: Não aceite um diagnóstico sem compreender todos os parâmetros que levaram o médico a concluir sua mazela. Se desconfiar que algo está errado, é porque provavelmente há algo errado. Confie em seus instintos e não tenha medo de procurar uma segunda opinião.

Minha Segunda Consulta – O Psiquiatra de Ouro

Trocar de psiquiatra foi umas das melhores coisas que fiz. Tive a sorte de encontrar um ótimo médico. Claro, sentar diante de um estranho e contar a sua história nunca é fácil. Mas pelo menos desta vez, fui ouvida e questionada com maior minúcia.

Antes de me dar o diagnóstico, ele olhou meus exames, me explicou didaticamente o que eu tinha e o que o levava a dar o meu novo diagnóstico. Não era transtorno bipolar, era distimia (uma espécie de depressão crônica), responsável inclusive pelas compulsões alimentares. Além disso, estava passando por episódios bulímicos e nem sabia (em breve sairá um vídeo sobre isso).

O novo psiquiatra foi ético (pois em momento algum apedrejou o profissional anterior), foi humilde, explicando que por mais que tivesse experiência, ele sempre preferia ir com calma com os remédios e ainda me deu um cartão com todos os contatos dele (site, e-mail, telefones) para o caso de eu precisar contata-lo. Para fechar com chave de ouro, é um médico que acredita na eficácia da psicoterapia e me orientou que eu não deixasse de ir ao psicólogo (coisa mais rara do mundo).

Já tive 3 consultas com ele desde então, as doses dos medicamentos são ajustadas a cada visita e eu estou muito melhor.

Então galera, se um dia for a um psiquiatra, não saia do consultório dele sem tirar todas as dúvidas sobre seu diagnóstico. Caso ele receite medicamentos, procure entender como os remédios vão agir no seu organismo, questione sobre os efeitos colaterais que terá e o mais importante, peça um contato dele, para o caso de precisar… Porque esses remédios são fortes e requerem acompanhamento profissional. Se o seu médico não passou credibilidade, procure outra opinião profissional, porque a ideia é que você melhore e não que tenha mais problemas, né?

Bom, é isso!

Fé em Deus e pé na taba!

Cíntia Milanese

5 Comentários


  1. Cintia, você poderia me passar o contato do médico de ouro? Tenho somente uma opção de médico para indicar aos meus pacientes, é dificílimo achar um como o seu. Só espero que não seja o mesmo … risos
    Se puder passar, pode ser via whats, e-mail, inbox, sinal de fumaça, como preferir …

    Beijocas,
    Selma

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    1. Claro, Selma, com o maior prazer: Dr. Murilo: atende na zona norte de Sampa, no bairro da Água Fria (próximo a Santana). Tel.: 11 3360-4826

      Responder

  2. Cintia, imagino a sensação de felicidade/alívio que sentiu quando finalmente foi bem atendida e diagnosticada corretamente! Que bom que encontrou um psiquiatra humanizado, que soube te acolher e te tratar!

    E, claro, sua coragem em se abrir foi ótimo, te salvou! Parabéns! Poucas pessoas conseguem dar esse passo tão importante para sua melhora. Que bom que conseguiu e continua no caminho!
    Beijos!

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  3. Olá, Cintia! Só para confirmar, o médico é Murilo Abel R. Carvalho?

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